Como massagear bebês

fevereiro 28, 2017 Publicado por Ampolas de Chantilly Sem comentários
Existem poucas técnicas de massagem para bebês utilizadas e divulgadas. A mais conhecida é a Shantala.
No início, Shantala era apenas o nome de uma mulher indiana que o obstreta e ginecologista francês Frédérick Leboyer observou, sentada no chão, massageando seu bebê. Mas o fato é que essa técnica é tradição na Índia e baseia-se nos princípios da medicina ayurvédica que, grosso modo, significa “conhecimento da vida sadia”.




A Shantala é ensinada de mãe para filha, e recomenda-se não realizar a massagem antes que o bebê complete um mês. Quando o bebê tem apenas alguns dias de vida, devem ser feitas carícias sobre a pele, por alguns poucos minutos. 

Após um mês, a aplicação pode durar de vinte a trinta minutos e deve ser feita pelo menos por quatro meses, pela manhã e à tarde. Quando a criança conseguir rolar e mudar de posição, a massagem poderá ser interrompida. É assim que segue a tradição das mulheres indianas.

O poder da massagem

Para os indianos, a massagem atua no campo físico e energético, tendo a função de purificação e manutenção da saúde corporal, ou seja, seu objetivo é restaurar o bem-estar físico, energético e emocional.




A massagem é utilizada em certos cerimoniais obrigatórios na Índia, tais como a cerimônia de se oferecer massagem “à nova mãe” 40 dias do pós-parto, pois é o momento de completar a purificação do corpo da mulher e proporcionar uma recuperação mais rápida.

Embora essa rotina não seja conhecida na nossa cultura, como mães que somos, entendemos ser o período pós-parto bastante tenso e cansativo e acreditamos que receber massagem nesse período, conhecido pelos nossos avós como quarentena pós-parto, seria, no mínimo, relaxante e agradável.

Na Índia, a massagem é praticada por todas as famílias. Algumas mães massageiam diariamente as crianças até elas completarem três anos de idade; quando a rotina se modifica, a massagem passa a ser realizada uma ou duas vezes por semana até as crianças completarem seis anos. Nesse momento, as crianças já estão aptas a trocar massagens com outras crianças.

Como fazer a Shantala

Para a prática da técnica Shantala, o bebê ou a criança deve estar inteiramente despido. O local deve estar aquecido, pois o bebê não poderá sentir frio. O óleo utilizado deve ser natural e previamente aquecido. Na Índia, as mulheres usam óleo de mostarda no inverno e óleo de coco no verão. A criança deve estar em jejum, ou seja, a massagem não deve ser feita após a amamentação. A massagem é seguida pelo banho, o qual completará a sensação de relaxamento e livrará a pele do excesso de óleo.

A pessoa que realiza a massagem deve estar sentada no chão com as pernas esticadas, as costas eretas e os ombros relaxados, porém sem contato direto com o solo. Sobre as pernas é utilizado um tecido impermeável para coletar as fezes – em caso de relaxamento dos esfíncteres do bebê – ou a urina.

Durante a massagem, é importante que a pessoa que realizará a técnica esteja concentrada na atividade, realize os movimentos cuidadosamente e mantenha contato visual com o bebê.

No tórax, os movimentos são circulares, do centro para fora, realizados com ambas as mãos. Leboyer descreve essa manobra comparando-a com o manuseio de um livro aberto, como se quem realiza a massagem tivesse um livro em suas mãos e tivesse que deixar as páginas bem abertas.




Depois uma das mãos parte da região lateral inferior do quadril do bebê até o ombro oposto, e assim sucessivamente, com alternância das mãos.




No fim do movimento, a eminência hipotenar, ou a região volar da mão, desliza pelo pescoço do bebê. Os membros superiores e inferiores são massageados da região proximal para a distal; a mão que está massageando o bebê forma um bracelete em volta do membro.




Em seguida, as mãos de quem realiza a massagem executam um amassamento (com um movimento de rosca), ou seja, trabalham simultaneamente. Na região dos punhos e dos tornozelos, a manobra é mais demorada.




Quando os membros superiores são massageados, o bebê pode ser posicionado em decúbito lateral. As mãos e os pés do bebê são massageados pelos polegares do cuidador, da região proximal para a distal, ou seja, da palma da mão ou planta dos pés até os dedos.





O abdome é massageado a partir da região imediatamente abaixo das costelas até a parte inferior do abdome, utilizando uma mão após a outra. Depois, os pés do bebê são segurados e, mantendo as pernas estendidas na vertical, as manobras são reaplicadas, massageando da região abaixo das costelas até a parte inferior do abdome.





Para massagear as costas do bebê, ele deve ser colocado em decúbito dorsal, transversalmente sobre as pernas da pessoa que irá massageá-lo, de modo que a cabeça do bebê se encontre à esquerda da pessoa.


Essa massagem é realizada em três tempos:

1. São realizados deslizamentos perpendiculares às costas do bebê, ou seja, as mãos do terapeuta se deslocam no trajeto laterolateral (movimentos de vaivém representados pelas setas brancas na imagem abaixo) da altura das escápulas até as nádegas e novamente até as escápulas, sucessivamente.

2. A mão direita de quem está realizando a massagem fica espalmada sobre as nádegas do bebê (representada pela seta cinza na imagem abaixo), enquanto a mão esquerda desliza de uma forma mais profunda e lenta da nuca até as nádegas (seta preta).

3. A mão direita segura e sustenta os pés, enquanto a esquerda parte da nuca em direção às costas, ao quadril, à coxa, às pernas e aos tornozelos do bebê (seta tracejada).




Com a criança em decúbito dorsal, o rosto é massageado colocando dois dedos no meio da testa do bebê e deslocando-os para os lados até atingir a lateral da cabeça; depois, contorne as sobrancelhas e afaste os dedos até as têmporas e, por fim, massageie do ápice até a base do nariz.




A massagem é encerrada com três mobilizações muito semelhantes aos movimentos do hataioga (sendo essa técnica de autocuidado físico e espiritual também de origem indiana):

1. Cruzar e descruzar os braços do bebê sobre o tórax.




2. Cruzar o membro superior de um lado com o membro inferior contralateral, de modo que o pé do bebê toque o ombro contralateral (a mão pode tocar a nádega contralateral).

3. Padmasana, ou seja, cruzar as pernas sobre o abdome do bebê, o que,
segundo a técnica descrita, provoca a abertura e o relaxamento das articulações da pelve, particularmente de sua articulação com o sacro e a base da coluna vertebral.




Após a massagem, é recomendado um banho tranquilo, cujo objetivo, nessa técnica, é proporcionar bem-estar e uma completa liberação do bebê. Para isso, segure-o pelas axilas e deixe-o flutuar. Ele deve estar com a cabeça apoiada sobre o punho do cuidado.





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